sexta-feira, 8 de julho de 2011

Jornalismo

Lembro de quando escolhi o jornalismo. Eu devia estar lá pela 8ª série, isso em, o que? 2005,2006? Isso, era 2005 o ano em que o jornalismo me escolheu. Na verdade, eu acho que ele me escolheu aos 6 de maio de 1991. Desde pequeno, sempre gostei de ter um microfone na mão e brincar de sair entrevistando todo mundo. Tinha curiosidade nata por todas as coisas, gostava de quebrar brinquedos para saber o que tinha dentro, era uma daquelas crianças chatas que assistia ao x-tudo, adorava o "Porque sim, não é resposta" e, de vez em quando, eu assistia o Roda Viva, só pra descontrair; isso quando eu não estava com meu livro de direito civil debaixo do braço, isso quando eu tinha uns 10 anos, porque eu jurava que seria diplomata. Pra quê? Porque eu sonhava em mudar o mundo. 
Quando comecei a crescer e descobrir meu fascínio - leia-se loucura - por leitura, história e português, percebi que aquilo poderia ser uma profissão. Eu poderia viver (ganhar dinheiro) contando histórias, viajando, contando tudo isso para outras pessoas. Esse era meu sonho de ser feliz.
Quis me empenhar. Com as janelas da internet, fui atrás de descobrir o que era aquela tal coisa que eu gostava de fazer. Aquele tal de perguntar e ter resposta, ler e ler, investigar (uhul, era o máximo, me sentia detetive). Descobri que aquilo se chamava jornalismo. Foi aí que comecei a perceber o quanto eu gostava do Jornal Nacional, do Globo Repórter, do Aqui Agora, do Jornal do SBT, do Fantástico, das revistas Veja, IstoÉ, Superinteressante, Recreio, até dos jornais, Folha, Estadão... Notei o quanto eu gostava da Marília Gabriela, do William Bonner, do Caco Barcellos, do Carlos Nascimento... Eles eram Jornalistas. Eles eram (e são) os "Deuses da Informação". A arte de informar. O ofício de contar histórias.
Comecei a contar histórias e estórias sobre tudo. Sobre meus cachorros, minha famílias, meus gatos, minha rua, minha vida, meus amores, minha escola. 
Vi que era fácil para mim lutar pelo que era certo, justo, que eu era contestador por natureza, argumentava sobre tudo e todos e era muito, mas muito, curioso. Descobri meu gosto pelo perigo, pela aventura e pelos lugares diferentes. O jornalismo me escolheu. Fui presidente de grêmio, representante de classe, escrevi para o jornal da escola, lia livros e vi meu destino.
Não passei na USP, nem na UNESP, mas consegui uma bolsa e comecei a descobrir o quão gostoso era fazer o que se gostava. Me entreguei à paixão do tal jornalista sonhador.
Comecei a mudar meu destino, fiz jornais, blogs, já fui repórter de um site, editor de revista e sou colunista. Claro, porque jornalista gosta de dar pitaco sobre tudo.
E então descobri que ainda tenho o sonho de mudar o mundo. Ainda quero transformar o mundo que vivo num lugar mais justo com a minha profissão. Descobri que o jornalismo me escolheu e é isso que sei fazer. E continuo lutando para conseguir transformar as coisas, saber um pouco de tudo, estar onde há uma boa história a ser contada. Vi que o jornalismo é mesmo "o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter", e que ele é "um sacerdócio". É pra isso que vivo.
Meia-noite e dez. Me preparando para mais uma reportagem, mais uma entrevista e mais uma história a ser contada. Vivo e faço jornalismo. É isso que amo, é para isso que nasci. 
Papel e caneta na mão, hora de começar a fazer arte. 

PS.: Sou louco pela vinheta, por esse jornal e pelos apresentadores. Meus queridos amigos, Hermano Henning e Analice Nicolau. 


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